domingo, 20 de abril de 2014

SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA - DMU

     A surdocegueira se caracteriza pela perda auditiva e visual ao mesmo tempo. Ela pode ser parcial ou total e ser congênita ou adquirida, enquanto que a deficiência múltipla é a combinação de duas ou mais deficiências e “é uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social” (fascículo DMU).
         De acordo com Habermas, Jurgen (1991), “a comunicação é um ato intersubjetivo que acontece entre duas ou mais pessoas, onde há uma troca entre significados e sentidos”. Partindo desse pressuposto, a comunicação deve ser valorizada e tomada como ponto de partida para trabalhar rumo a superação ou a minimização das dificuldades apresentadas por pessoas surdocegas e com DMU. Todas as estratégias que potencializem a comunicação devem ser priorizadas.
          As pessoas DMU “geralmente apresentam dificuldades de comunicação verbal, mas podem utilizar outras estratégias de comunicação como por meio de gestos, olhar, movimentos corporais mínimos, sinais, objetos e símbolos” (Saberes e Práticas da Inclusão). Para Nielsen (1983) e Akesson & Brodin (1991), ‘o adulto se converte na parte mais forte da interação, tende a falar sem esperar resposta ou sem dar tempo suficiente para que a criança possa produzir a resposta, reduzindo, assim, a capacidade responsiva e a intenção comunicativa”. Assim, as pessoas envolvidas com a pessoa com DMU devem estimular todas as formas de comunicação.
          O surdocego faz uso de uma série de recursos para sua comunicação e para que essa comunicação aconteça e seja eficiente, deve ser proporcionado a ele , muitos estímulos. Segundo o Brasil (2006):

Os recursos de comunicação usados pelas crianças surdocegas são vários (sistemas alfabéticos: dactilológico, letras maiúsculas, tablitas, braile, máquina de escrever em tinta ou em braile e sistemas não-alfabéticos: LIBRAS, LIBRAS adaptada, leitura labial, Tadoma, movimentos corporais, sinais no corpo, símbolos, sistemas suplementares de comunicação como levantar a cabeça, Bliss, PCS e COMPIC, desenho e outros), mas em todos o tato constitui a via mais promissora no estabelecimento das interações com o ambiente. Segundo o trabalho de O’Donnell (1991), os recursos de comunicação receptiva mais usados por surdocegos são: língua de sinais (83%), gestos e insinuações táteis (60%), alfabeto digitado na mão (40%), sistema braile (6%) e contexto (3%). Em relação aos recursos de comunicação expressiva, a pesquisa da autora aponta os seguintes dados: língua de sinais (70%), gestos naturais (55%), linguagem oral com combinação de outro método (11%) e os que não possuem sistema de comunicação expressiva (7%). De acordo com esses dados, a língua de sinais constitui recurso de comunicação mais promissor para as pessoas surdocegas.


Referencias

BRASIL, Educação infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem : deficiência múltipla. [4. ed.] / elaboração profª Ana Maria de Godói – Associação de Assistência à Criança Deficiente – AACD... [et. al.]. – Brasília : MEC,, 2006.

BRASIL, Saberes e práticas da inclusão. Dificuldades de comunicação e sinalização Surdocegueira/Múltipla deficiência sensorial Brasília, 2006


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