A surdocegueira se caracteriza pela perda auditiva e visual ao mesmo
tempo. Ela pode ser parcial ou total e ser congênita ou adquirida, enquanto que
a deficiência múltipla é a combinação de duas ou mais deficiências e “é uma condição heterogênea que identifica
diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas que afetam,
mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”
(fascículo DMU).
De acordo com Habermas, Jurgen (1991), “a comunicação é um ato intersubjetivo que acontece entre duas
ou mais pessoas, onde há uma troca entre significados e sentidos”. Partindo
desse pressuposto, a comunicação deve ser valorizada e tomada como ponto de
partida para trabalhar rumo a superação ou a minimização das dificuldades
apresentadas por pessoas surdocegas e com DMU. Todas as estratégias que
potencializem a comunicação devem ser priorizadas.
As pessoas DMU “geralmente apresentam
dificuldades de comunicação verbal, mas podem utilizar outras estratégias de
comunicação como por meio de gestos, olhar, movimentos corporais mínimos,
sinais, objetos e símbolos” (Saberes e Práticas da Inclusão). Para Nielsen
(1983) e Akesson & Brodin (1991), ‘o adulto se converte na parte mais forte
da interação, tende a falar sem esperar resposta ou sem dar tempo suficiente
para que a criança possa produzir a resposta, reduzindo, assim, a capacidade
responsiva e a intenção comunicativa”. Assim, as pessoas envolvidas com a pessoa
com DMU devem estimular todas as formas de comunicação.
O surdocego faz uso de uma série de recursos para sua comunicação e para
que essa comunicação aconteça e seja eficiente, deve ser proporcionado a ele ,
muitos estímulos. Segundo o Brasil (2006):
Os
recursos de comunicação usados pelas crianças surdocegas são vários (sistemas alfabéticos:
dactilológico, letras maiúsculas, tablitas, braile, máquina de escrever em
tinta ou em braile e sistemas não-alfabéticos: LIBRAS, LIBRAS adaptada, leitura
labial, Tadoma, movimentos corporais, sinais no corpo, símbolos, sistemas
suplementares de comunicação como levantar a cabeça, Bliss, PCS e COMPIC,
desenho e outros), mas em todos o tato constitui a via mais promissora no
estabelecimento das interações com o ambiente. Segundo o trabalho de O’Donnell
(1991), os recursos de comunicação receptiva mais usados por surdocegos são: língua
de sinais (83%), gestos e insinuações táteis (60%), alfabeto digitado na mão
(40%), sistema braile (6%) e contexto (3%). Em relação aos recursos de
comunicação expressiva, a pesquisa da autora aponta os seguintes dados: língua
de sinais (70%), gestos naturais (55%), linguagem oral com combinação de outro
método (11%) e os que não possuem sistema de comunicação expressiva (7%). De
acordo com esses dados, a língua de sinais constitui recurso de comunicação
mais promissor para as pessoas surdocegas.
Referencias
BRASIL, Educação
infantil: saberes e práticas da inclusão: dificuldades acentuadas de aprendizagem
: deficiência múltipla. [4. ed.] / elaboração profª Ana Maria de Godói – Associação
de Assistência à Criança Deficiente – AACD... [et. al.]. – Brasília : MEC,,
2006.
BRASIL, Saberes
e práticas da inclusão. Dificuldades de comunicação e sinalização
Surdocegueira/Múltipla deficiência sensorial Brasília, 2006